A lembrança de um aroma

8 de fevereiro de 2011

O nariz é a porta de entrada para as memórias, principalmente aquelas ligadas às nossas emoções. E, se for treinado, torna-se um aliado para manter o cérebro longe das doenças neurodegenerativas

Ah, o cheiro de bolo saindo do forno... Ele é capaz de nos remeter a momentos calorosos do passado, como aquelas tardes de domingo em que as avós preparavam delícias para agradar os netos. Na literatura, nenhum registro sobre o despertar de lembranças por meio do olfato é mais notável do que o narrado pelo escritor francês Marcel Proust no primeiro dos sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido. Ele descreve um episódio que ilustra bem o que hoje se conhece como memória involuntária, aquela que surge por mero acaso: o aroma do bolinho madeleine embebido no chá evoca no protagonista cenas da infância que trazem “prazer delicioso” e “poderosa alegria”. A ciência explica esse fenômeno — o olfato é tão importante quanto os outros sentidos na retenção das recordações e está indissociavelmente ligado às emoções, mais até do que a visão e a audição. 

Um curioso estudo da Universidade de Mannheim, na Alemanha, mostra o efeito emotivo dos aromas. Os cientistas borrifaram essência de flores em um grupo de voluntários e cheiro de ovo podre em outro — ambos dormiam profundamente. Ao despertarem, os que inspiraram a substância fedorenta relataram pesadelos, enquanto os demais descreveram ótimos sonhos. “Inconscientemente, a pessoa relaciona um odor com uma experiência vivida”, justifica Elizabeth Quagliato, neurologista da Universidade Estadual de Campinas, aUnicamp, que fica no interior paulista. 

Esse elo fica mais evidente em pacientes com Alzheimer. “O sistema olfativo é o primeiro atingido pela doença neurodegenerativa que apaga as lembranças”, conta o psicobiológo americano Charles Wysocki, do Centro Monell dos Sentidos Químicos, na Filadélfia. Ou seja, além de passar a borracha nos registros do passado, o Alzheimer dificulta a percepção dos cheiros. Isso porque as duas regiões do cérebro — a da percepção de odores e a da memorização —, além de próximas, conversam bastante uma com a outra. Um teste olfativo feito na Universidade McGill, do Canadá, flagrou a perda da capacidade de perceber cheiros quando a doença ainda é incipiente. “Esse exame é extremamente sensível, apesar de ser muito simples e barato”, explica Elizabeth Quagliato. 

Alzheimer, memória e olfato estão a tal ponto ligados que alguns especialistas chegam a suspeitar de que partículas específicas captadas pelo nariz seriam capazes de deflagrar o mal. “Isso não passa de uma hipótese, que fique bem claro, mas não descarto que o meio externo dê um empurrão em certas doenças neurodegenerativas”, especula a neurologista Arlete Hilbig, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.




Bolo de Banana

Ingredientes:
3 xicaras de açucar, 3 xicaras de farinha de trigo, 3 ovos, 1 colher de(sopa )de manteiga, 1 xícara de leite, 1 colher(sopa) de fermento em pó.

Modo de preparo:
Bata o açucar com a manteiga, junte as gemas, adicione o leite, a farinha peneirada com o fermento, e por último as claras em neve. Caramele uma forma,  forre com bananas fatiadas, coloque a massa, leve ao forno e deixe assar por 45 minutos.
OBS: Desenforme Quente


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5 comentários:

  1. Após ler o artigo acima, que saudade imensa senti da vovó.
    Fui criada na roça, num sítio e minha vovozinha sempre esteve presente. Guardo até hoje em meu coração, a doce lembrança do seu jeito de ser, olhar e falar.
    As comidas que ela fazia, eram de fato uma delícia!
    Eita saudade grande!

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  2. hahahaha sei o que é isso Cléia... sinto falta do cheiro da casa da minha mãe... e da comida, bolos e tudo que ela fazia.... essa matéria é show...doces lembranças de minha mãe

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  3. O cheiro que mais tenho gostado ultimamente é o de terra molhada.

    Molho as minhas plantas e fico curtindo o cheiro de terra molhada.

    Quando molho a erva cidreira mistura um pouco o cheiro adocicado.

    Se eu pudesse moraria no meio do mato...

    Nasci na favela (digo, ma zona rural) o cheiro de mato é o que mais me lembra a infância... eucalypto, jasmim, rosas, espirradeira...

    Ai, ai...

    E agora eu sinto cheiro de asfalto quente.

    Nada como o progresso bem planejado, certo?

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  4. progresso planejado???? onde???? parecem um monte de cimento, pedra e terra!!! e cadê o verde??????

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  5. gosto muito da cidade, mais as vezes me da uma saudade de estar num lugar bem alto olhando as plantações, a natureza respirando o ar puro muito bom.

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